As minhas ambições naquela época eram extremamente desvairadas, sem propósito algum. Conseguir um digno agente literário era uma tarefa quase irrealizável. Quem em sã consciência iria se sujeitar a produzir um calouro, por mais esplêndido que fosse seu texto, a dificuldade de encontrar uma editora ou um grande selo disposto a publicar a obra era algo fatigante..
Dentre os passeios por Pribearandi, descobri o Café da Leonora, que ficava na avenida Amazonas, paralela com a Goiás, no bairro Canadá – eu sempre me questionava como duas avenidas com nomes de Estados brasileiros poderiam pertencer ao um bairro com nome de um país localizado na América do Norte.
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No Café conheci a Paloma, uma professora de Português totalmente diferente do que encontrei ao longo da vida, ainda mais por possuir um descolado piercing no lado esquerdo do nariz e uma tatuagem inexpressável no braço direito. Assim que pedi meu primeiro café debruçado no velho balcão engordurado, a educadora fez questão de se apresentar e interromper o meu muito obrigado à garçonete.
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– Você deve ser o escritor que está hospedado no Sant Etiene Brasil, acertei?
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– Nossa, sou tão esquisito assim para ser reconhecido como um não cidadão de Pribearandi? – debati num tom de discordância.
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– Óbvio que sim! Olha para todas as pessoas desse lugar! Você tem alguma semelhança com eles?
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– Ok, não tenho, mas...
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– Então, você não é daqui, afinal, olhe pra mim, eu também não pertenço a esta cidade, mas...
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– Mas...? – indaguei sem querer deixar o assunto morrer.
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– Mas estou aqui, fazer o quê. Meu nome é Paloma, muito prazer!
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Após o bate-papo inicial, eu precisava descobrir como ela sabia todas aquelas informações sobre a minha curta existência em Pribearandi, um certo complexo de perseguição já começava a brotar nas raízes do meu cérebro.
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Nosso diálogo durou cerca de 30 minutos e, um pouco antes de acabar, a professora disse que tinha que seguir seu rumo para a escola onde lecionava, sendo assim, tomei a coragem necessária para perguntar como ela sabia cada detalhe da minha estadia naquela pequenina cidade.
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– Só mais uma coisa: Como você adquiriu todas essas referências sobre o cidadão aqui?
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– Faz assim: Amanhã, você me espera na frente do Sant Etiene, às 9h00. Tomamos um café na padaria da esquina e eu te conto como uma ex-funcionária do True Bank angariou essas informações, beleza? Ah, outra coisa, eu conheço um agente literário que trabalha com a editora Transposição, posso te apresentar, se você quiser, é claro!
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Que filha da puta! Essa professora toda descolada trabalhou naquela merda de banco onde fui escravo por 12 anos. Talvez, ela sabia muito mais do que eu pudesse imaginar, ou quem sabe, ela já foi minha companheira em algum dos setores que trabalhei, ou pior ainda, ela pode ser uma das 22 pessoas que mandei embora antes do Natal de 2003, quando eu era o Superintendente da área Comercial!
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Mas, dane-se tudo isso! Ela conhecia um agente literário que trabalhava para uma das maiores editoras do país, se eu tivesse – ou não - cometido alguma falha com ela, o momento era de cultivação da amizade recém estabelecida.
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– Porra, tô fudido agora, mina! – disse para a garçonete que recolhia calmamente a minha xícara de café.
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– Ahn? O que o senhor disse? – respondeu a pobre garçonete sem entender absolutamente nada.
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Continua...
Dentre os passeios por Pribearandi, descobri o Café da Leonora, que ficava na avenida Amazonas, paralela com a Goiás, no bairro Canadá – eu sempre me questionava como duas avenidas com nomes de Estados brasileiros poderiam pertencer ao um bairro com nome de um país localizado na América do Norte.
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No Café conheci a Paloma, uma professora de Português totalmente diferente do que encontrei ao longo da vida, ainda mais por possuir um descolado piercing no lado esquerdo do nariz e uma tatuagem inexpressável no braço direito. Assim que pedi meu primeiro café debruçado no velho balcão engordurado, a educadora fez questão de se apresentar e interromper o meu muito obrigado à garçonete.
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– Você deve ser o escritor que está hospedado no Sant Etiene Brasil, acertei?
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– Nossa, sou tão esquisito assim para ser reconhecido como um não cidadão de Pribearandi? – debati num tom de discordância.
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– Óbvio que sim! Olha para todas as pessoas desse lugar! Você tem alguma semelhança com eles?
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– Ok, não tenho, mas...
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– Então, você não é daqui, afinal, olhe pra mim, eu também não pertenço a esta cidade, mas...
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– Mas...? – indaguei sem querer deixar o assunto morrer.
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– Mas estou aqui, fazer o quê. Meu nome é Paloma, muito prazer!
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Após o bate-papo inicial, eu precisava descobrir como ela sabia todas aquelas informações sobre a minha curta existência em Pribearandi, um certo complexo de perseguição já começava a brotar nas raízes do meu cérebro.
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Nosso diálogo durou cerca de 30 minutos e, um pouco antes de acabar, a professora disse que tinha que seguir seu rumo para a escola onde lecionava, sendo assim, tomei a coragem necessária para perguntar como ela sabia cada detalhe da minha estadia naquela pequenina cidade.
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– Só mais uma coisa: Como você adquiriu todas essas referências sobre o cidadão aqui?
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– Faz assim: Amanhã, você me espera na frente do Sant Etiene, às 9h00. Tomamos um café na padaria da esquina e eu te conto como uma ex-funcionária do True Bank angariou essas informações, beleza? Ah, outra coisa, eu conheço um agente literário que trabalha com a editora Transposição, posso te apresentar, se você quiser, é claro!
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Que filha da puta! Essa professora toda descolada trabalhou naquela merda de banco onde fui escravo por 12 anos. Talvez, ela sabia muito mais do que eu pudesse imaginar, ou quem sabe, ela já foi minha companheira em algum dos setores que trabalhei, ou pior ainda, ela pode ser uma das 22 pessoas que mandei embora antes do Natal de 2003, quando eu era o Superintendente da área Comercial!
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Mas, dane-se tudo isso! Ela conhecia um agente literário que trabalhava para uma das maiores editoras do país, se eu tivesse – ou não - cometido alguma falha com ela, o momento era de cultivação da amizade recém estabelecida.
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– Porra, tô fudido agora, mina! – disse para a garçonete que recolhia calmamente a minha xícara de café.
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– Ahn? O que o senhor disse? – respondeu a pobre garçonete sem entender absolutamente nada.
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Continua...