Rasuras de uma vida suburbana
"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece", sábias palavras de Charles Bukowski.
Posted on Sexta-feira, Setembro 18, 2009

A Loucura, a Extravagância, a Insensatez e a Imprudência num Único Tronco Humano - Parte I

Filed Under () By Edson Nunes

Há um certo tempo, quando a sanidade deixou de existir na minha mente, me dediquei a um projeto: escrever um livro. Este acúmulo de devaneios em páginas tinha que sair daquele estereótipo do alter-ego enraizado no personagem principal, descontextualizar essa observação impregnada pelos críticos literários.
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Não queria mais participar desse cotidiano de cidade grande e, com esse intuito azucrinando meus pensamentos, resolvi mudar a minha confortável realidade: pedi demissão no banco no qual trabalhava – isso foi um alívio imediato; vendi meu possante pela metade do preço – isso foi um desespero absurdo; vendi minha casa para o filho da puta de um professor de história - isso foi uma baita dor de cabeça; cancelei todas as assinaturas de serviços em meu nome – isso foi uma novela global protagonizada pelo mocinho indefeso, que sou eu, e pelos vilões sem compaixão, que são os atendentes de telemarketing; dei meu melhor amigo para a minha mãe – isso foi uma escapatória de grandes porções de cocô, porém com a garantia de pagar a ração do animal todo mês; me desvencilhei de todos os aparelhos de tecnologia – isso foi loucura, mas pelo menos o notebook sobreviveu a esses desapegos, o aparelho eletrônico me pareceu conveniente naquele momento, afinal, iria escrever um livro, seria mais prático utilizá-lo.
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Com todas as pendências resolvidas, segui meu pretensioso destino: viajar para Pribearandi. Ainda não sabia ao certo, em qual cidade iria morar definitivamente, mas procurava um lugar calmo e sem grandes movimentações.
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Minhas primeiras caminhadas pela cidade não revelaram absolutamente nada sobre aquelas poucas pessoas denominadas como caipiras da gema. Toda cidade pequena tem uma legitima Igreja Matriz, certo? Pois bem, corri para a praça onde ficava a tal igreja, assim, poderia analisar o comportamento dos caipiras pribearandianos, e saber se aquela cidade era ideal para desenvolver meu nobre projeto.
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Em poucos minutos, cheguei no local, e me deparei com a seguinte situação: uma praça muito arborizada e repleta de pombas cagonas; cinco bancos com espaço para quatro pessoas e todos devidamente ocupados por casaizinhos de idosos; dois pipoqueiros disputando o território aos berros; quatro pintores dando um tapa na fachada da igreja; e um bando de crianças correndo de um lado para o outro.
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Realmente, essa foi uma visão típica de cidade do interior. No primeiro momento senti uma apreensão muito forte, jamais passei muito tempo numa terrinha daquelas, o peso da consciência apareceu ferozmente, e uma insegura pergunta veio a calhar: Como seria a porra do meu dia-a-dia naquele lugar? Só vivendo pra saber.
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O cartão do hotel no qual pretendia me hospedar, indicava um endereço próximo à praça da terceira idade, sendo assim, despachei o táxi, e caminhei até o local tranquilamente.
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Na recepção do estabelecimento, apenas uma jovem mulher se encontrava que, sem pestanejar, fez a questão de iniciar um diálogo pouco acolhedor, afinal, turistas naquela desprezível cidade eram extremamente raros, e o que mantinha aquele hotelzinho fajuto eram os fazendeiros e suas amantes, que utilizavam o lugar como celeiro de atividades sexuais.
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- Só temos disponível o quarto 405, no 4° andar, de frente pra praça? A diária é 60,00 reais, por semana fazemos 360,00, e mês cheio fica 1380,00. Vai querer, senhor?
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Sem o mínimo tempo pra refletir as promoções de cada pacote, resolvi escolher o semanal, parecia ser o mais conveniente para minhas pretensões naquele momento. Ao adentrar no quarto, fiquei bastante surpreso com o que vi: móveis simples, mas em ótimo estado de conservação e limpeza. Definitivamente, o ambiente era muito aconchegante.
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Prontamente estabelecido, me faltava conhecer o restante da pequena cidade, todos os recintos alternativos que poderiam ajudar um novato escritor em seu processo de criação intenso.
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Teria eu escolhido a cidade certa?
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Continua...

Posted on Domingo, Setembro 06, 2009

Vídeo - VI Colóquio de Pesquisas sobre Instituições

By Edson Nunes

Apresento a mais nova peripécia do SET: O canal de vídeos no YOUTUBE.
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Esta produção caseira foi feita com muita dificuldade, desde a captação de cada imagem, até a edição final do material. Alguns imprevistos banais - como um bendito professor abrindo a porta no desfecho da reportagem - são de certa forma refletidos na falta de experiência da equipe. Mas, no geral, acho que ficou bacana!
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