Por muitas vezes, sem rumo, sem direção, sem destino, e todas as citações inseguras e banais que enfatizam e determinam uma pessoa que vive no ermo, eu nunca mantive um diálogo prazeroso – muito menos construído uma relação – com uma profissional do sexo, prostituta, puta, garota de programa, piranha, vadia, vagabunda, rapariga, e todas as denominações existentes no globo terrestre, para aquela, que cuja as lábias proféticas, afirmam ser a profissão mais antiga do mundo, nada além de um simples clichê motivacional..
Não que a Nanda – conhecida na praça como Anita – fosse a pessoa mais mequetrefe da face terra, porém eu como um nobre rapaz pertencente à alta elite falida, jamais, em hipótese alguma, poderia me relacionar afetivamente com uma mulher daquela categoria peculiar, assim estabelecia os preconceituosos mandamentos sociais.
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Após a descoberta inusitada devido às informações captadas na cozinha, corri para o quarto alternando dois pensamentos: perguntar a verdadeira profissão – ou quem sabe o hobby – da Nanda, ou aproveitar o tempo que ainda tinha disponível, com a bendita missão de testar toda a possível experiência sexual daquela mulher. Mas, ela antecipou qualquer reação:
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– Sim, eu sou prostitua, amor. Bem diferente da grande maioria, mas sou!
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Puta que pariu! A mina realmente era biscate, fudido narrador? Isso mesmo, astuto leitor, todo esse tempo eu estava convivendo com uma vendedora de orgasmos. E, o pior, eu adorava aquilo tudo.
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Meu primeiro raciocínio com aquela confissão foi sentir-se um idiota, um ingênuo, um moleque numa aventura mal sucedida. Novamente, antes de proferir alguma palavra, a Nanda foi mais rápida no gatilho:
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- Amor, desde quando eu te conheci, gostei do seu jeito sensível de ser. Lembra do nosso primeiro encontro, lá no bar do Anselmo? Então, tinha acabado de fazer um programa, resolvi tomar alguma coisa antes de ir para casa e, para minha surpresa, conheci você!
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Uma revolta interna crescia a cada segundo. E, mais uma vez, quando eu pretendia dizer algo, ela me interrompeu com lágrimas:
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- Desculpe se o que você sente nesse momento é ruim. Antes de qualquer palavra agressiva, esqueça todo esse orgulho ferido e o preconceito que supostamente há em você. Posso ter manipulado e omitido os fatos, mas convenhamos, uma pessoa de 45 anos precisa ter mais malícia em seu cotidiano?
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Entre lágrimas de crocodilos, uma voz trêmula, e soluços volúveis, minha vontade era de espancar aquela figura feminina bem composta, porém, eu realmente fui ingênuo, tinha que dar o braço a torcer. Então, perguntei:
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- Você é uma vadia diferente? Diferente como, porra!
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Num simples tom de veracidade e cautela, a nobreza da luxúria, proferiu:
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- Trabalho numa casa em Perdizes, onde os maiores engravatados de São Paulo frequentam, só que tem um simples detalhe neste processo: eu escolho com quem vou fuder! Entendeu?
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Respondendo à altura, ironizei:
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- Sou um escolhido que não precisou pagar? Interessante! Tenho o dom de seduzir a imponente prostituta que escolhe sua vítima indefesa, que por sua vez, está disposta a abrir sua respectiva carteira, num ato de generosidade sem tamanho, com o trabalho requisitado. Sem sombra de dúvidas, você tem o total poder em suas mãos.
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Com a raiva transbordando pela boca, a Nanda se vestiu rapidamente e soltou:
- Tá duvidando, né? Vou te levar lá! Se arruma, garotão!
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A fúria da Nanda estava mais evidente do que nunca, no trajeto de sua suburbana casa até a requintada casa em perdizes, chegamos em poucos minutos, sem respeitar nenhuma sinalização, ou muito menos, ter o juízo de prevenir nossos corpos, ou melhor, o dela, que no caso, era o ganha pão mais eficaz que ela descobriu ao longo da vida.
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Observei cada detalhe interno da mansão, desde a estrutura aos móveis presentes, quando percebi a movimentação dos engravatados, numa espécie de bar improvisado, repleto de mesas luxuosas, onde algumas meninas escolhiam suas vítimas. Foi quando escutei uma delas afirmando:
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- O doutor Antônio Lofred é meu meninas, venho escolhendo ele há mais de um mês!
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Aquele papo furado da Nanda de escolher com quem vai fuder realmente era verdade, os caras pagavam a entrada, ganhavam as cervejas e aguardavam ansiosamente no bar a prostituta que o escolheria e, sem hesitar, pagava o valor que a puta estipulava pelo programa.
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No final das contas, continuo com o descolado e moderno casamento, ainda sou o “Fudido Proprietário Majoritário” da advocacia “Dos Saldanhas”, e todo santo dia tenho que ir ao bar do Anselmo, como o de costume. E, sem esquecer que, até hoje, tenho uma relação com a Nanda e, sempre que possível, peço pra ela me levar naquele ambiente onde as regras conhecidas são totalmente invertidas.
Não que a Nanda – conhecida na praça como Anita – fosse a pessoa mais mequetrefe da face terra, porém eu como um nobre rapaz pertencente à alta elite falida, jamais, em hipótese alguma, poderia me relacionar afetivamente com uma mulher daquela categoria peculiar, assim estabelecia os preconceituosos mandamentos sociais.
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Após a descoberta inusitada devido às informações captadas na cozinha, corri para o quarto alternando dois pensamentos: perguntar a verdadeira profissão – ou quem sabe o hobby – da Nanda, ou aproveitar o tempo que ainda tinha disponível, com a bendita missão de testar toda a possível experiência sexual daquela mulher. Mas, ela antecipou qualquer reação:
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– Sim, eu sou prostitua, amor. Bem diferente da grande maioria, mas sou!
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Puta que pariu! A mina realmente era biscate, fudido narrador? Isso mesmo, astuto leitor, todo esse tempo eu estava convivendo com uma vendedora de orgasmos. E, o pior, eu adorava aquilo tudo.
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Meu primeiro raciocínio com aquela confissão foi sentir-se um idiota, um ingênuo, um moleque numa aventura mal sucedida. Novamente, antes de proferir alguma palavra, a Nanda foi mais rápida no gatilho:
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- Amor, desde quando eu te conheci, gostei do seu jeito sensível de ser. Lembra do nosso primeiro encontro, lá no bar do Anselmo? Então, tinha acabado de fazer um programa, resolvi tomar alguma coisa antes de ir para casa e, para minha surpresa, conheci você!
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Uma revolta interna crescia a cada segundo. E, mais uma vez, quando eu pretendia dizer algo, ela me interrompeu com lágrimas:
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- Desculpe se o que você sente nesse momento é ruim. Antes de qualquer palavra agressiva, esqueça todo esse orgulho ferido e o preconceito que supostamente há em você. Posso ter manipulado e omitido os fatos, mas convenhamos, uma pessoa de 45 anos precisa ter mais malícia em seu cotidiano?
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Entre lágrimas de crocodilos, uma voz trêmula, e soluços volúveis, minha vontade era de espancar aquela figura feminina bem composta, porém, eu realmente fui ingênuo, tinha que dar o braço a torcer. Então, perguntei:
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- Você é uma vadia diferente? Diferente como, porra!
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Num simples tom de veracidade e cautela, a nobreza da luxúria, proferiu:
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- Trabalho numa casa em Perdizes, onde os maiores engravatados de São Paulo frequentam, só que tem um simples detalhe neste processo: eu escolho com quem vou fuder! Entendeu?
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Respondendo à altura, ironizei:
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- Sou um escolhido que não precisou pagar? Interessante! Tenho o dom de seduzir a imponente prostituta que escolhe sua vítima indefesa, que por sua vez, está disposta a abrir sua respectiva carteira, num ato de generosidade sem tamanho, com o trabalho requisitado. Sem sombra de dúvidas, você tem o total poder em suas mãos.
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Com a raiva transbordando pela boca, a Nanda se vestiu rapidamente e soltou:
- Tá duvidando, né? Vou te levar lá! Se arruma, garotão!
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A fúria da Nanda estava mais evidente do que nunca, no trajeto de sua suburbana casa até a requintada casa em perdizes, chegamos em poucos minutos, sem respeitar nenhuma sinalização, ou muito menos, ter o juízo de prevenir nossos corpos, ou melhor, o dela, que no caso, era o ganha pão mais eficaz que ela descobriu ao longo da vida.
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Observei cada detalhe interno da mansão, desde a estrutura aos móveis presentes, quando percebi a movimentação dos engravatados, numa espécie de bar improvisado, repleto de mesas luxuosas, onde algumas meninas escolhiam suas vítimas. Foi quando escutei uma delas afirmando:
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- O doutor Antônio Lofred é meu meninas, venho escolhendo ele há mais de um mês!
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Aquele papo furado da Nanda de escolher com quem vai fuder realmente era verdade, os caras pagavam a entrada, ganhavam as cervejas e aguardavam ansiosamente no bar a prostituta que o escolheria e, sem hesitar, pagava o valor que a puta estipulava pelo programa.
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No final das contas, continuo com o descolado e moderno casamento, ainda sou o “Fudido Proprietário Majoritário” da advocacia “Dos Saldanhas”, e todo santo dia tenho que ir ao bar do Anselmo, como o de costume. E, sem esquecer que, até hoje, tenho uma relação com a Nanda e, sempre que possível, peço pra ela me levar naquele ambiente onde as regras conhecidas são totalmente invertidas.


