Às 17h55 próximo do fim do expediente, a minha inquietude era frequente em dias estressantes como aquele. E, pegar ônibus totalmente lotado e um trânsito típico de começo de noite, não animava em nada as coisas. Já na rua de casa, avistei Baetrice abrindo seu portão, e logo me aproximei brincando:.
- Olá, nova vizinha! Depois de 8 anos sem se ver, temos um dia repleto de encontros casuais!
Sorridente como sempre, ela respondeu simpaticamente:
- Verdade, nunca passou pela minha cabeça que você trabalhava na mesma empresa do Ravioli. Quer entrar?
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Entrei.
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Conversamos sobre o dia inusitado, sobre sua nova vida, seus problemas familiares e financeiros, e o mais empolgante: fizemos uma sessão nostalgia da época de adolescência, relembramos dos nossos momentos cômicos, nossas amizades com prazo de validade, nossas brigas sem motivo, nossas paqueras sem sal.
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Aquele dia concretizou-se uma nova relação na minha vida: uma fervorosa amizade com rotina de namoro.
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- A vida não é fácil pra ninguém, concorda? Alguns dias estamos fortes e valentes com as dificuldades diárias, em outros, sensíveis e frágeis perante quaisquer obstáculos que nos impede de prosseguir – foram as primeiras palavras de Beatrice, no almoço improvisado de última hora em sua casa.
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Enquanto eu fumava um cigarro na varanda nos fundos, minha nova amiga preparava uma clássica lasanha de micro-ondas - comida típica de jovens sem dotes culinários - e cantarolava uma música de Elis Regina. Em pouco mais de 3 meses, nossa aproximação foi intensa, uma afinidade e cumplicidade mútua, talvez fosse a situação em comum: morar sozinho pela primeira vez.
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Realizávamos muitas coisas juntos: pegávamos ônibus juntos, pagávamos contas juntos, fazíamos compras de supermercado juntos, comíamos em restaurantes baratos juntos, e até limpávamos as nossas casas juntos, atitude que por sinal, me fez dispensar os serviços da prestativa empregada.
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Em um desses finais de semana juntos, resolvemos comprar alguns livros no sebo do Holandês, que ficava perto da estação Barra Funda do Metrô. Após desembarcar da estação e andar longos 25 minutos, chegamos até ao estabelecimento com o agradável cheiro de mofo dos antiquados livros literários.
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Entre bisbilhotar algumas prateleiras, e escutar pela centésima vez a admiração de Beatrice por Marcelo Rubens Paiva, percebi o olhar agressivo dos clientes pseudo-intelectuais em nossa direção. Até que Beatrice encontrou uma amiga:
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- Amanda, que saudade amiga!
- Bê, não acredito!
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Depois do diálogo inicial, o inesperado mais uma vez:
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- Amanda, vai logo, tenho que comprar as coisas do churrasco ainda! - gritou Américo, um nerd convencional muito gente boa, namorado da moça.
- Tô indo! Bê, amanhã vai ter um churrasco de amigos no meu prédio, por favor, aparece lá com seu namorado pra gente fofocar bastante. Beijos!
.
Nossa sintonia na mesma frequência era um fator evidente, mas seria que parecíamos um casal de namorados tão escancarado assim? Toda encabulada Beatrice perguntou se eu queria ir até o churrasco de amigos com ela. Talvez, o convite fosse apenas por educação, mas comer de graça era sempre viável para um cara sem dinheiro como eu.
.
Continua...
- Olá, nova vizinha! Depois de 8 anos sem se ver, temos um dia repleto de encontros casuais!
Sorridente como sempre, ela respondeu simpaticamente:
- Verdade, nunca passou pela minha cabeça que você trabalhava na mesma empresa do Ravioli. Quer entrar?
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Entrei.
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Conversamos sobre o dia inusitado, sobre sua nova vida, seus problemas familiares e financeiros, e o mais empolgante: fizemos uma sessão nostalgia da época de adolescência, relembramos dos nossos momentos cômicos, nossas amizades com prazo de validade, nossas brigas sem motivo, nossas paqueras sem sal.
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Aquele dia concretizou-se uma nova relação na minha vida: uma fervorosa amizade com rotina de namoro.
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- A vida não é fácil pra ninguém, concorda? Alguns dias estamos fortes e valentes com as dificuldades diárias, em outros, sensíveis e frágeis perante quaisquer obstáculos que nos impede de prosseguir – foram as primeiras palavras de Beatrice, no almoço improvisado de última hora em sua casa.
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Enquanto eu fumava um cigarro na varanda nos fundos, minha nova amiga preparava uma clássica lasanha de micro-ondas - comida típica de jovens sem dotes culinários - e cantarolava uma música de Elis Regina. Em pouco mais de 3 meses, nossa aproximação foi intensa, uma afinidade e cumplicidade mútua, talvez fosse a situação em comum: morar sozinho pela primeira vez.
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Realizávamos muitas coisas juntos: pegávamos ônibus juntos, pagávamos contas juntos, fazíamos compras de supermercado juntos, comíamos em restaurantes baratos juntos, e até limpávamos as nossas casas juntos, atitude que por sinal, me fez dispensar os serviços da prestativa empregada.
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Em um desses finais de semana juntos, resolvemos comprar alguns livros no sebo do Holandês, que ficava perto da estação Barra Funda do Metrô. Após desembarcar da estação e andar longos 25 minutos, chegamos até ao estabelecimento com o agradável cheiro de mofo dos antiquados livros literários.
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Entre bisbilhotar algumas prateleiras, e escutar pela centésima vez a admiração de Beatrice por Marcelo Rubens Paiva, percebi o olhar agressivo dos clientes pseudo-intelectuais em nossa direção. Até que Beatrice encontrou uma amiga:
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- Amanda, que saudade amiga!
- Bê, não acredito!
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Depois do diálogo inicial, o inesperado mais uma vez:
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- Amanda, vai logo, tenho que comprar as coisas do churrasco ainda! - gritou Américo, um nerd convencional muito gente boa, namorado da moça.
- Tô indo! Bê, amanhã vai ter um churrasco de amigos no meu prédio, por favor, aparece lá com seu namorado pra gente fofocar bastante. Beijos!
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Nossa sintonia na mesma frequência era um fator evidente, mas seria que parecíamos um casal de namorados tão escancarado assim? Toda encabulada Beatrice perguntou se eu queria ir até o churrasco de amigos com ela. Talvez, o convite fosse apenas por educação, mas comer de graça era sempre viável para um cara sem dinheiro como eu.
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Continua...