Rasuras de uma vida suburbana
"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece", sábias palavras de Charles Bukowski.
Posted on Segunda-feira, Maio 25, 2009

O Inexorável - Parte I

Filed Under () By Edson Nunes

Devido ao trabalho, correria intensa na faculdade, e uma turbulência sem precedentes na minha vida pessoal, este espaço tem novo intuito: Contos e Crônicas. Farei um grande esforço para postar semanalmente, manter tal frequência que se adapta ao meu cronograma de tarefas.
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Seja bem-vindo a nova fase deste blog!
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Menina de uma serenidade cativante, de uma fala pausada, de um par de seios extravagantes. Clara, esse era seu nome. Nosso único contato aconteceu numa saída de cinema. Como? Na frente do banheiro feminino. Eu, esperando a namorada daquela semana. Ela, esperando a melhor amiga. Um diálogo simples e muito simpático:
- Que demora! Nunca mais saio com essa tal de Enuji.
- Calma! Mulher sempre enrola
no banheiro. E, para sua infelicidade, esse é repleto de espelhos planos – afirmou clara ao me ver reclamando.
Dezessete minutos cronometrados. Esse foi o tempo total de Enuji Matsuda no banheiro.
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Quarta à noite, trânsito tranquilo e ruas desertas. Alguns quilômetros separavam o cinema até o apartamento de classe média, onde a querida namorada da semana morava. Se eu não falasse algo, ela permanecia quieta e imóvel. Pois bem, decidi não abrir a boca. O rápido percurso foi entediante. Até na hora da despedida, o silêncio dominou o ambiente. A nipônica bateu com força a porta do Uno 97, resmungando algumas palavras de baixo calão.
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Quinta, às 6h50, um compromisso: comer pastel na feira. Sim, nessa hora já tem pastéis prontos para serem saboreados. Era 3h33 da madrugada. Eu não conseguia dormir. Por quê? Talvez, porque a Denise ficou em casa até às 2h15. Quem é Denise? A minha vizinha da esquerda. Morena, 23 anos, com uma bunda sensacional, com um belo par de coxas grossas, e claro, muito perversa. Mas, naquela noite, alguns pensamentos distantes, sem significados, insistiam em me atormentar.
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Chegou a hora do pastel. Vesti uma calça jeans surrada, uma camisa social preta, e o velho All Star branco. Desci a rua de paralelepípedos numa velocidade intensa. Até que, escutei meu nome sendo pronunciado constantemente: “Danton, Danton, Danton”. Uma noite mal dormida poderia causar alucinações? Definitivamente, não. Era apenas a minha empregada pedindo a chave de casa. Pronto, agora o caminho estava livre para comer um suculento pastel de frango. Engano meu, mais um chamado escandaloso: “Danton, espera um pouco! Sou eu, Beatrice”. Quem é vivo sempre aparece, correto? Beatrice estava mais viva do que nunca, com um visual totalmente revigorado.
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- Que saudade Danton! Nem acredito que te vi por aqui. Você mora nessa região?
Calma, respira fundo filha. Foi apenas um reencontro, não há motivo para tanta exaltação.
- Moro sim, na rua Buenos Aires, 911 – respondi secamente.
Resolvi convidar a amiga reaparecida para mastigar comigo. Para o meu azar, ela aceitou. Entre uma e outra mastigada, Beatrice falava da sua nova vida.
- Agora eu sou Advogada, acredita? Me formei há 2 anos. E montei um escritório em Perdizes.
- Que legal, sua profissão deve ser bem rentável financeiramente.
- Digamos que sim! – respondeu sorridente.
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Não via a Beatrice há 8 anos, desde a época da adolescência, em que costumávamos frequentar alguns bares da rua Augusta. Ela tinha acabado de se mudar para a minha rua, numa casa de esquina, que pertencia a uma família de Judeus.
- A casa é pequena, mas muito aconchegante. Tem uma varanda nos fundos, ideal para relaxar nos finais de semana. E o preço do aluguel é justo! – comentou a doce menina mulher, enquanto caminhávamos até o ponto de ônibus.
Ela pegou um ônibus com direção para o Centro Velho. Eu peguei um ônibus com direção para a Paulista.
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No trabalho, cheios de relatórios de Excel a serem finalizados, o dia não passava, e o superintendente da área gritava com a nova estagiária por um erro qualquer. O ambiente estava insuportável, então decidi ir fumar no térreo, fugir do estresse que me rodeava.
Um gole de café, um cigarro barato conhecido como “arrebenta pulmão”, e mais pensamentos vagos naquela mente perturbada. Quando, de repente, o inusitado:
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- Não acredito, Danton você trabalha aqui?
O acaso, o destino, o que realmente tinha que acontecer: reencontrar a doce menina mulher pela segunda vez no dia.
- Beatrice, você de novo?
- Então, tenho um cliente no sexto andar, o Antônio Ravioli, conhece?
- Conheço sim, o gerente de Marketing, famoso bigodudo com sobrenome de comida italiana.
- Esse mesmo! Bom, vou subir, depois a gente conversa. Meu novo vizinho!
- Tudo bem, vai lá!
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Alguma coisa me fazia acreditar, que esse dia atípico, traria mais surpresas até seu final.
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Continua...