Sempre me gabei da minha pontualidade nos encontros – seja profissional, amoroso ou simplesmente casual –, mas naquele dia algo estava errado com o meu organismo. Uma baita dor de cabeça me fez passar a noite em claro, revirando de um lado para o outro na cama e resmungando sem parar com o meu próprio eu..
Quando finalmente o sono veio à tona, o relógio indicava 7h42, mesmo assim, decidi tirar um breve cochilo que, na verdade, se estendeu até às 16h45, quando o telefone do hotel tocou, e a antipática recepcionista avisou que a Paloma – a mulher do encontro na frente do Sant Etiene, às 9h00 – aguardava a minha autorização para subir.
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Mal abri a porta, e a Paloma já descarregou sua metralhadora oral:
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– Já me deu um bolo no primeiro encontro? Acho que você não merece um renomado agente literário, merece?
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– Talvez não, mas no próximo encontro – se tiver, é claro – você exija à minha enxaqueca que ela não apareça na noite anterior, e que me deixe dormir tranquilamente, assim eu posso comparecer em todo e qualquer encontro com a senhorita. Combinado? – ironizei.
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– Nesta súbita vida, ouvi muitas desculpas, mas essa com certeza foi a melhor! – respondeu Pamela com o mesmo nível de ironia.
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– Ok, se não acredita, tá tudo certo! – afirmei meio atordoado, ainda com a cabeça girando, devido à noite mal dormida.
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Com um olhar fixo e desacreditado, Paloma disse que o meu encontro com o agente literário seria no próximo fim de semana, e que seria bom eu preparar um bom rascunho sobre o que livro iria abordar, um currículo profissional e acadêmico.
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– Nossa, preciso levar também RG, CPF, comprovante de residência, ou quem sabe, o meu tipo sanguíneo?
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– Como já te falei anteriormente e você parece não ter escutado: o rapaz é super renomado no meio. Ele é exigente, só isso!
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Eu ainda estava de cueca, com o cabelo eriçado, e sem escovar os dentes, quando a explicação sobre os conhecimentos referente à minha pessoa foram revelados.
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– Eu trabalhei no True Bank por seis meses, fui assistente na época que você era Superintendente da área Comercial. Meu tio é dono do Sant Etiene Brasil, e me disse que um rapaz – possivelmente escritor – tinha se hospedado no hotel, seu nome era Nico Gomes. Como eu sou professora de Português, logo me interessei, e alguma coisa me dizia que esse nome não era estranho . Quando eu te vi no Café da Leonora, na hora me recordei do meu queridíssimo chefe!
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– Caramba! A senhorita associa os fatos muitíssimo bem, não?
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– Pois é, pra você ver!
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Terminada a explicação, pedi um tempo para ir ao banheiro me arrumar, antes de tomarmos o café que, naquele instante, seria o da tarde. Após tomar um banho, escovar os dentes, pentear o cabelo e colocar o roupão, abri a porta do banheiro, para a minha surpresa não vi a Paloma sobre a cama ou sentada na cadeira próxima à janela.
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Antes mesmo de colocar a minha cueca, a porta de entrada abriu violentamente, e um carrinho com alguns lanches, cervejas e uma garrafa de champanhe surgiu na minha direção.
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– Opa, opa! Pensei que você estava com fome, que dizer, na verdade está, mas fome de outra coisa, né? – perguntou Paloma com uma voz tremula ao me ver com a cueca na mão e a parte íntima à vista.
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– Calma, não tenho culpa que você não bate na porta e não me deixa colocar a roupa em paz.
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Rapidamente coloquei a cueca e a bermuda, e começamos a comer e beber aquela fartura. Com a mesma rapidez que coloquei a roupa, fiquei bêbado com tanta cerveja e champanhe. O mesmo aconteceu com Paloma – pelo menos era o que eu achava.
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Antes de qualquer atitude ou pensamento em aproveitar sexualmente da professorinha, o meu corpo se entregou inteiramente ao sono profundo. Ao acordar, tudo parecia estar no seu devido lugar, porém não estava.
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Minha carteira foi extremamente esvaziada, meu notebook não estava no armário, meus sapatos e tênis não estavam na mala, muita coisa havia sido roubada, quase tudo, pra falar a verdade.
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Quando fui dar queixa na delegacia, constatei que não existia nenhuma professora de Português chamada Paloma na cidade, o dono do Sant Etiene Brasil, na verdade, era dona, uma senhora de 78 anos. Porém, até hoje não descobri como a Paloma – ou quem sabe Joana, Alessandra, Camila, ou qualquer outro nome que aquela senhorita possuía – sabia que eu era um ex-funcionário do True Bank, um aspirante a escritor e o mais instigante: o meu pobre nome Nico Gomes.
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No final das contas, após este incidente, voltei a morar com a minha mãe por um tempo, arrumei um emprego em outro banco, conheci a Luzia e me casei com ela, tive duas filhas lindas, Carol e Lara. Depois de outro tempo, me separei de Luiza, passei a ver as minhas filhas a cada 15 dias e, novamente, voltei a morar com a minha mãe. E, o desvairado sonho de escrever um livro foi ficando de lado, até que, mais uma vez, eu realizei a mesma loucura de largar tudo, com mais cautela e malícia, óbvio.
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Hoje, faz três anos que o livro foi publicado, por uma editora pequena do interior. Não é nenhum best-seller da atualidade, muito menos consigo viver de direitos autorais sobre ele, mas depois de muita persistência e determinação, a minha animada epopéia literária foi concluída.
Quando finalmente o sono veio à tona, o relógio indicava 7h42, mesmo assim, decidi tirar um breve cochilo que, na verdade, se estendeu até às 16h45, quando o telefone do hotel tocou, e a antipática recepcionista avisou que a Paloma – a mulher do encontro na frente do Sant Etiene, às 9h00 – aguardava a minha autorização para subir.
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Mal abri a porta, e a Paloma já descarregou sua metralhadora oral:
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– Já me deu um bolo no primeiro encontro? Acho que você não merece um renomado agente literário, merece?
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– Talvez não, mas no próximo encontro – se tiver, é claro – você exija à minha enxaqueca que ela não apareça na noite anterior, e que me deixe dormir tranquilamente, assim eu posso comparecer em todo e qualquer encontro com a senhorita. Combinado? – ironizei.
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– Nesta súbita vida, ouvi muitas desculpas, mas essa com certeza foi a melhor! – respondeu Pamela com o mesmo nível de ironia.
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– Ok, se não acredita, tá tudo certo! – afirmei meio atordoado, ainda com a cabeça girando, devido à noite mal dormida.
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Com um olhar fixo e desacreditado, Paloma disse que o meu encontro com o agente literário seria no próximo fim de semana, e que seria bom eu preparar um bom rascunho sobre o que livro iria abordar, um currículo profissional e acadêmico.
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– Nossa, preciso levar também RG, CPF, comprovante de residência, ou quem sabe, o meu tipo sanguíneo?
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– Como já te falei anteriormente e você parece não ter escutado: o rapaz é super renomado no meio. Ele é exigente, só isso!
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Eu ainda estava de cueca, com o cabelo eriçado, e sem escovar os dentes, quando a explicação sobre os conhecimentos referente à minha pessoa foram revelados.
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– Eu trabalhei no True Bank por seis meses, fui assistente na época que você era Superintendente da área Comercial. Meu tio é dono do Sant Etiene Brasil, e me disse que um rapaz – possivelmente escritor – tinha se hospedado no hotel, seu nome era Nico Gomes. Como eu sou professora de Português, logo me interessei, e alguma coisa me dizia que esse nome não era estranho . Quando eu te vi no Café da Leonora, na hora me recordei do meu queridíssimo chefe!
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– Caramba! A senhorita associa os fatos muitíssimo bem, não?
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– Pois é, pra você ver!
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Terminada a explicação, pedi um tempo para ir ao banheiro me arrumar, antes de tomarmos o café que, naquele instante, seria o da tarde. Após tomar um banho, escovar os dentes, pentear o cabelo e colocar o roupão, abri a porta do banheiro, para a minha surpresa não vi a Paloma sobre a cama ou sentada na cadeira próxima à janela.
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Antes mesmo de colocar a minha cueca, a porta de entrada abriu violentamente, e um carrinho com alguns lanches, cervejas e uma garrafa de champanhe surgiu na minha direção.
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– Opa, opa! Pensei que você estava com fome, que dizer, na verdade está, mas fome de outra coisa, né? – perguntou Paloma com uma voz tremula ao me ver com a cueca na mão e a parte íntima à vista.
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– Calma, não tenho culpa que você não bate na porta e não me deixa colocar a roupa em paz.
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Rapidamente coloquei a cueca e a bermuda, e começamos a comer e beber aquela fartura. Com a mesma rapidez que coloquei a roupa, fiquei bêbado com tanta cerveja e champanhe. O mesmo aconteceu com Paloma – pelo menos era o que eu achava.
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Antes de qualquer atitude ou pensamento em aproveitar sexualmente da professorinha, o meu corpo se entregou inteiramente ao sono profundo. Ao acordar, tudo parecia estar no seu devido lugar, porém não estava.
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Minha carteira foi extremamente esvaziada, meu notebook não estava no armário, meus sapatos e tênis não estavam na mala, muita coisa havia sido roubada, quase tudo, pra falar a verdade.
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Quando fui dar queixa na delegacia, constatei que não existia nenhuma professora de Português chamada Paloma na cidade, o dono do Sant Etiene Brasil, na verdade, era dona, uma senhora de 78 anos. Porém, até hoje não descobri como a Paloma – ou quem sabe Joana, Alessandra, Camila, ou qualquer outro nome que aquela senhorita possuía – sabia que eu era um ex-funcionário do True Bank, um aspirante a escritor e o mais instigante: o meu pobre nome Nico Gomes.
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No final das contas, após este incidente, voltei a morar com a minha mãe por um tempo, arrumei um emprego em outro banco, conheci a Luzia e me casei com ela, tive duas filhas lindas, Carol e Lara. Depois de outro tempo, me separei de Luiza, passei a ver as minhas filhas a cada 15 dias e, novamente, voltei a morar com a minha mãe. E, o desvairado sonho de escrever um livro foi ficando de lado, até que, mais uma vez, eu realizei a mesma loucura de largar tudo, com mais cautela e malícia, óbvio.
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Hoje, faz três anos que o livro foi publicado, por uma editora pequena do interior. Não é nenhum best-seller da atualidade, muito menos consigo viver de direitos autorais sobre ele, mas depois de muita persistência e determinação, a minha animada epopéia literária foi concluída.
11 Opiniões Concretas
ótimo escrito...viu.
abraços
Hugo
Uhuuuu, nunca imaginaria um final deste. Ótimo. Adorei.
Tive que reler tudo, porque assim fica bem melhor saborear a estória toda.
bjks
Obrigado pela participação lá no meu blog viu.
abraços de paz.
Hugo
Confesso que gostei da Paloma, mesmo ela sendo ladra. Mas nem acho que ela tenho feito mal ao Nico, na verdade me parece que ela rendeu uma boa história na vida sem graça dele que, por fim, casou, teve filhos e seguiu as regras do jogo. Talvez ela tenha sido o Coringa dele.
Gostei do texto, parabéns.
Beijo
É o tipo daquela hostória que não se imagina como será o final e quando este acontece, é para surpreender mesmo.
Interessante!
Gostei do que você escreveu.
Já a Paloma, uma tremenda de uma ladra salafra. E você deu azar de ter tido uma enxaqueca...
Abraço,
Jorge
Nossa querido. Muito bom...essa sua nova fase do blog é incrível.
Saudades!
Parabéns, beijaaao!
Seu layout ta very massa! @@
Passei um tempo afastado, mas tou de volta o//
=D
ehe, gostei, voltarei mais vezes. venha me visitar tb
temporario-permanente.blogspot.com
té!
Feliz Ano Novoo!!
o que eu estava procurando, obrigado
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