Trabalho há anos na Rua dos Timbiras, uma travessa da Santa Ifigênia – inferninho básico de pessoas – num falido escritório de advocacia, que já foi do meu tio Pedro, do saudoso tio Agenor, do trapaceiro tio Claudião, e hoje, pertence a minha problemática pessoa, esse negócio é simplesmente um membro da família Saldanha..
Bem no início, eu entrava às 9h00, e saía no máximo às 15h00, um horário tranquilo para um adolescente, na época, com 16 anos. Naquele tempo de fartura de clientes, tudo era maravilhoso e cômico, eu como um legítimo “Office-nada”, mal tinha coisas para fazer a não ser, claro, deslumbrar-se com a Tânia, secretária do tio Pedro, detentora da melhor bunda que já vi até o presente momento, em que escrevo este manuscrito – confuso e desleixado – na minha estreita sala, do lado do banheiro dos visitantes, no início do corredor amarelado, terceira porta à direita.
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Qual é o meu cargo hoje em dia? Fácil de responder: Fudido Proprietário Majoritário, que ganha tão pouco, quanto exerce suas responsabilidades e funções diárias, uma espécie de mobília antiquada da advocacia “Dos Saldanhas”.
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Por falar do meu querido emprego, o clássico estabelecimento está vivendo uma extrema decadência financeira, na verdade a falência é questão de tempo. A advocacia possui doze funcionários, entre eles, a Aline – minha mulher –, colaboradora mais velha dessa birosca, uma autêntica sobrevivente de guerra trabalhista, que todos os dias não esquece de frisar sua opinião de acabar com a empresa, vendê-la rapidamente, me aconselhando procurar uma nova maneira de ganhar o pão de cada dia, uma atitude arriscada nessa altura da vida, afinal, tenho 45 anos, porém essa possibilidade é a mais real e sensata na atualidade.
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Confesso por meio dessas linhas mal impressas do mini caderno de terceira linha comprado por 50 centavos na banca do Felipinho, que sou formado em porra nenhuma, muito menos em Direito, porém todos acham que sou. Legal isso, né? Olha o sarcasmo, meninão!
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Continuando a narrativa da minha estimulante vida social, todo santo dia costumo ir ao bar do Anselmo, localizado também na Santa Ifigênia, numa travessa cujo seu nome foge da minha memória agora, só sei que é perto do meu querido trabalho. Ultimamente a única coisa que posso pagar, é uma caipirinha de vodka, acompanhada de um churrasquinho no pão, com muito molho de alho.
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Em um desses dias, há seis meses, conheci a Nanda, tinha acabado de chegar no butecão e cumprimentar a rapaziada, quando me dei conta da presença de uma mulher naquele ambiente fétido totalmente masculinizado. Sentei na minha mesa – sempre tive necessidade de marcar território nos lugares onde frequento -, observei a figura feminina sentada em uma das cadeiras do balcão, de baixo para cima: um sapato digno, uma boa calça social preta, uma camisa branca, um terninho cinza e, por fim, um olhar estranho, não consigo nem fudendo descrever ou definir com alguma palavra o que os olhos dela retratavam, era uma expressão complicada, o meu vocabulário não é muito vasto e eficiente, desculpe, caro leitor.
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Após saborear a refeição majestosa, fui pagar os R$ 7,50 da minha comanda, tirei as notas amassadas e moedas empoeiradas do bolso, entreguei a pequena quantia ao Anselmo, e logo escuto uma voz diferente:
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– Você também é adepto de uma caipirinha no final do expediente? Isso é uma válvula de escape diária pra mim, sabe? – palavras de uma possível alcoólatra, deprimida e carente a minha pessoa.
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Após esse primeiro diálogo corriqueiro, muitos outros aconteceram entre nós, regados de caipirinha de vodka, pinga pura, cerveja barata e, nos dias frios, quem dava o tom da conversa era um vagabundo vinho tinto.
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Sem ao menos perceber, todos os dias eu encontrava a Nanda, que já se tornava uma confidente fiel em pouco mais de dois meses; eu desabafava tudo com ela, realmente tudo, mesmo sem saber quem era aquela mulher de verdade, que por sua vez, também compartilhava sua vida cotidiana comigo todos os santos dias.
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Continua...
17 Opiniões Concretas
Na Epopéia do Cotidiano encontramos de tudo nessa vida.
Obrigada pela sua visita e palavras de incentivo no meu blog.
Muito original, adoro esses temas crônicos/corriqueiros. Abraço
Opa! Gostei...to anciosa pela 2ª parte!
Beijao querido
caramba...descobri que sou casada com um "advogado" falido de 45 anos que muito provavelmente terá um caso com essa tal de Nanda....
hahahahahahhahaha
Muito boa a história Ed... quero ver a continuação... mas dá um fim bom pra Aline vai! hehe
beijokas
Mas que delícia ler-te!
Obrigada pela visita, sempre animadora!
Tá tudo indo bem sim, com o andar da carroça as abóboras se ajeitam!
Abraço.
cara, to amando essa nova fase do teu blog! to morrendo de vontade de ler a continuação! muuito bom! isso vicia! beijos
Hmmm... Isso vai acabar no motel!
Gostei do texto, continue!
Preciso encontrar algum confidente, e logo
Ei, li seus textos d'O Inexorável. Surpreendente! Gosto dos seus personagens. Eles pensam q nem gente. Isso é legal!
Muito bom malako, bem cheiro do ralo mesmo, só que esse tiozão parece ter um pouco mais de dignidade. Logo mais terei coragem de escrever meus contos tbm.
Mas agora, só quero que a gente faça aquele curta metragem com a Naty e sai espalhando mundo afora ae.
voltei pra dizer, que por mais que tenha um vacuo enorme entre este e meus antigos comentarios, eu continuo a te ler e admirar o que tu escreve.
=)
Mto bom.
Ansiosa pela parte 2.
Beijo. =D
como vc escreve bem! gostei demais, ler vc me ajudou a escrever um pouco melhor meu livro
Original mesmo e muito real isso...gostei como sempre....e venho acompanhando sempre...
brigado mesmo meu amigo nas palavras do entrando e na serie..mas isso é sempre para vcs...
vlwww
cadê??!?!?!?
Achei massa!Foi muito bem escrito. A Lya tem um texto bem legal também sobre esse assunto.. hehehehe . muito bom. Volto mais vezes =3
Obrigada pela visita, voltei aqui antes, mas sem tempo de ler, sempre deixava para voltar depois.
Textos interessantes. Um escrita que flui, que prende a atenção e nos dá vontade de continuar a leitura.
bjs
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