Puta que pariu! Essa afirmação se repetia constantemente durante a fria manhã de domingo - dia sucessor do encontro entre Beatrice e Amanda, data do inesperado churrasco, que não se mostrava muito agradável a princípio..
Existiam reais motivos para tanta revolta? Alguns. Entre eles: o Uno 97 que insistia em não dar partida, a tv que não ligava mais, e o principal, os relatórios de Excel não finalizados no final de semana. A cada minuto que passava, a tensão e o nervosismo aumentavam por tudo que estava acontecendo, e eu já me preparava psicologicamente para a ríspida bronca do Agenor – meu queridíssimo chefe - na segunda-feira.
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Em toda minha vida fui tachado de insensível, cruel e sem coração. Até que um dia qualquer, das doces palavras de Beatrice, escutei uma no qual não era tão doce assim, pra falar a verdade não tinha nada de doce, era amarga e ofensiva: “As vezes você é tão inexorável, Danton!
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Inexorável? Interroguei instantaneamente. No dicionário a primeira definição é aquele não cede a rogos nem a lágrimas. Confesso que nunca fui sentimental, sempre senti repúdio por pessoas sensíveis, mas meu nível de frieza não era intenso a ponto de ser denominado desta maneira. Uma expressão forte, sem compaixão e malvada.
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Em certos momentos de reflexão, alguns flashes que estão registrados na minha memória, vêm à tona, e muitos deles são situações que me pego sem piedade com o próximo, grandes gargalhadas repletas de humor negro. Normal? Não sei. Seria isso uma possível característica de um indivíduo realmente mal?
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O churrasco começava às 19h00. Eu não tinha absolutamente ideia do que fazer ate lá. Uma breve mensagem de texto para o celular de Betrice. Sem êxito. Ela não respondeu. Passou o tempo, e com ele a minha cota de tolerância diária.
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Um, dois, três, quatro, cinco cigarros consumidos seguidamente. E nada da famosa nicotina fazer efeito, acalmar o pobre cérebro exaltado. Uma dose de álcool faria o serviço? Tentei. Mas não funcionou também. Sem sucessos, o relógio indicava 13h09, até que o meu celular resolver dar sinais de vitalidade. Quem era? Beatrice. Assunto? Confirmar a minha presença na reunião dos seus amigos.
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Bibi, bibi, bibi... Beatrice apareceu no meu portão buzinando, exatamente no horário combinado, às 18h30, sem nenhum segundo sequer de atraso. Ótimo, sempre adorei pessoas pontuais, ainda mais se tratando de mulher.
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Prédio simples, mas com um charmoso salão de festas. Conforme adentrávamos no recinto, as pessoas nos saudavam simpaticamente, talvez estar presente naquele ambiente seria um momento prazeroso, em plena noite de primavera.
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- Cara, como dá trabalho manter esse bando de esfomeados alimentados. Nunca faça churrasco para amigos! - comentou Américo, o nerd convencional sem nenhuma habilidade para assar carnes.
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Entre uma e outra latinha de cerveja, Américo dizia trabalhar numa Imobiliária do pai, com oito funcionários, estrutura pequena e contas sempre no vermelho. Em contrapartida, eu também falava dos perrengues de trabalhar com relatórios intermináveis.
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Descrever o que se passava naquela confraternização de amigos - que não eram os meus - parecia ser uma tarefa muito fácil de realizar, até que uma briga entre Beatrice e Amanda, a dona da festa, mudou o rumo da paz momentânea.
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- Chega, chega, e chega! Não acredito que você me chamou neste churrasco só para dizer o quanto sua vida está boa, e criticar a minha, pelas decisões que eu tomei até agora. A vida é minha, se eu quiser foder ela, eu posso, e você não tem nada haver com isso! Cansei desse seu jeito certinho e tosco de pensar.
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- Bê, calma! Não foi nada disso que eu quis dizer! Só queria te dar alguns conselhos! – enfatizava Amanda, em tom apaziguador.
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- Mentira! Você sempre gostou de humilhar os outros. Vamos sair daqui, Danton! Agora! Já!
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Percebi que o jogo de egos de uma com a outra era algo evidente para todos, menos para mim, a concorrência explícita, mais cedo ou mais tarde, iria causar algum inconveniente.
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Dentro do carro, Beatrice xingou todos os palavrões existentes na face da terra. Eu fiquei bem quietinho, com medo da raiva fervilhante sobrar para a minha pessoa. Mas, para a minha surpresa, ela me perguntou se eu poderia dormir em sua casa. Dizia precisar desabafar com alguém o que reprimia há muito tempo.
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Escutei e aconselhei a Bê por 20 minutos, os outros 120 foram parar na cama, com a fervilhante raiva sendo subtraída em grandes gemidos. Hoje, exatamente seis anos após este dia, eu e Beatrice terminamos definitivamente nosso casamento. Motivo alegado por ela? Sabe como é, sou muito inexorável.
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Ela acabou de sair da nossa, quer dizer, da agora minha casa, com todos os seus pertences e destino certo: casa da amiga Amanda, solteira na praça há cinco meses. Eu, não consigo parar de afogar as mágoas com um belo whisky doze anos.
9 Opiniões Concretas
Eu adoro ler o que você escreve. Muito clean, direto, delícia!
Obrigada por visitar meu blog...
A vida anda meio conturbada, muito trabalho, família (problemas de sáude), está difícil até de eu postar!
Um abraço.
Bela Viagem mesmo...
adorei ver vc na foto do perfil!
Heh!
Bjus
Uauuu!! Gostei do enredo, da estória...a vida, assim mesmo, crua e nua.
Ecobeijos.
Paty
Parabéns pela história. O enredo totalmente atraente e inspirador. Espero ler mais como estes.
Beijo na alma.
Caramba :)
Muuuuuito bom!!!
Vai ter mais? beijos
uma viajem ao mundo fantastico da leitura....
abraçao
Artigo novo no blog:
http://transtornobipolar2009.blogspot.com/
te espero lá!
PORQUE SAÚDE MENTAL MERECE ATENÇÃO!
ABRAÇOS
Olá,
Despois de uma dificuldade para entrar na net to voltando...
Bem legal o teu texto!
Fica na paz...
Ae Edysinho... muito bom hein cara... muito bom mesmo, confesso que antes de ler não pensei que prenderia tanto minha atenção...Parabéns meu velho...
Continue postando hein...
Abraços
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