Rasuras de uma vida suburbana
"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece", sábias palavras de Charles Bukowski.
Posted on Terça-feira, Agosto 31, 2010

MULHERES - PSEUDÔNIMO #8

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#Ana Lúcia Cruz

Posted on Quarta-feira, Agosto 25, 2010

Eu sonhava em escrever uma história que desse certo

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Eu sonhava em escrever uma história que desse certo. Uma narrativa que descrevesse um ciclo de uma vida rumo ao realização de um determinado objetivo momentâneo. Claro que, para mim, o final teria que encontrar-se com o êxito do final feliz. Porém, como todos sabem, a felicidade, por muitas vezes, é criada para amenizar a vivência da realidade comum – a dureza, a amargura, o rancor e a incompreensão.

Por muitas vezes, preciso confessar que, com a ignorância de um jovem bobo, faço indagações à solidão, pergunto se o que passou tem um propósito para se proceder no futuro, algo como tudo tem um motivo, ou para os medianos, uma justificativa.

Não sei dirigir. Mas se soubesse, com a certeza garantida de tudo e de todos, iria transitar por ruas movimentas a 20 por hora, visualizando pessoas caminharem – algumas numa velocidade rápida, com a preocupação do atraso iminente, outras em velocidade reduzida, com a calma do saber que tudo tem o seu tempo certo de acontecer e, com esta sabedoria divina, não se preocupam com alguns minutos a mais em suas rotinas inexpressivas, pois estes minutos não irão desencadear derrotas avassaladoras nas expectativas de uma existência banal.

Voltando à minha história, o enredo alinha-se na perspectiva de um jovem rapaz após a primeira relação amorosa com o novo romance recém-nascido. O que uma mente perturbada e ansiosa poderia elaborar? Expectativas, expectativas, expectativas. A vida neste mundo é movida através de expectativas: ir para o céu; casar e ter um casal de filhos; comprar a casa própria de três quartos; ter o carro que os amigos gostariam de ter; roupas que possuem preços exorbitantes e desbotam intensamente na primeira lavadinha; exemplos simples como estes resumem facilmente o que é uma vida padrão sem acontecimentos verdadeiros. Pessoas vazias gastam tempo com atividades que no dia seguinte já não têm mais relevância alguma, ou seja, dias desperdiçados para manter uma sobrevivência nula.

A história deste jovem necessitava de um modo de viver desusado, repleto de ambientes fictícios que retratavam como uma vida deveria ser gasta com exatidão, sentimentos exalando o cheiro de estar em movimento contínuo, com ferramentas psicológicas de blindagem à mediocridade. O rapaz precisava de um trabalho vistoso para o seu estilo de encarar as coisas. Um lavador de pratos num restaurante chinês? Caixa de uma tradicional farmácia de um bairro suburbano? Atendente de um sebo especializado em livros de auto-ajuda? Não sei.

Mais um fator essencial na trama é o objetivo a ser alcançado. O que esse bostinha juvenil iria galgar? Também não sei. Não tenho ideias, porra! Mas, e se eu fosse este juvenil, hein? O que eu gostaria? Ao entrar pela porta da criatividade poderia angariar informações sobre a sexualidade das piranhas. Descrever a fascinação do homem por uma única buceta e sua dona. Desenvolver uma teoria da amplitude verbal e sua respectiva exorcização na sanidade mental.

Ai caralho, esqueci a água fervendo no fogo alto! Será que eu vou aprender de primeira a fazer um delicioso café quentinho? Já volto, só um minuto, por favor.