Rasuras de uma vida suburbana
"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece", sábias palavras de Charles Bukowski.
Posted on Segunda-feira, Fevereiro 22, 2010

Apenas um surto psicótico – Parte I

Filed Under () By Edson Nunes

.A vida nunca foi lá muito agradável, sabe? Naqueles dias tudo se transformava num inferno pessoal. Algo do tipo, digamos, incompreensível. A razão dos fatos já não possuía o pacifismo adequado. O meu raciocínio lógico não correspondia com os demais. Resumindo: vivia em tempos difíceis.

Foi numa terça-feira que conheci a Sandra, uma mulher aparentemente surtada, comunicando-se consigo mesmo numa livraria. A cada livro que ela retirava aleatoriamente da prateleira um gritinho era dado:

- Uiiiiiiiiiiii, esse não me tocou.

Consegui contar quinze gritinhos, até que, uma funcionária da livraria foi falar com ela. E o espetáculo começou:

- Com licença, senhora. Será possível a senhora não emitir gritos desta forma Outros clientes estão reclamando.

- Foda-se eles todos. No mínimo são medíocres que não sabem sentir uma boa literatura. Idiotas, não ligue, filha! – respondeu a mulher.

- Certo, certo, mas os gritos atrapalham quem está lendo. Caso a senhora continuar, o gerente solicitará aos seguranças que a tirem da livraria.

- Hum... Você não está falando sério, está? E o meu direito? Cadê? Quero sentir cada livro que pego, é um processo íntimo que possuo, sabe?

Antes mesmo que a funcionária respondesse, dois negões vestidos com ternos e gravatas cinzas – cor fora do padrão preto e branco estipulados aos seguranças – agarram a doida e a jogaram na rua.

A paz estava novamente estabelecida. Engano celeste. Para a surpresa das pessoas presentes na livraria, a mulher voltou com três policiais devidamente enlouquecidos como ela. O grupo entrou e rapidamente fez a maior algazarra. Os policiais totalmente equivocados foram intimando de forma rude os seguranças que, sem ao menos refletirem, também foram ríspidos. O resultado não podia ser outro: porrada generalizada.

A briga corria solta enquanto eu folheava um livro qualquer. Inúmeros socos, chutes e cabeçadas entre os três policiais – todos baixinhos e desprovidos de músculos – e os seguranças – armários feitos de madeira maciça – rolavam de forma interrupta quando, disfarçadamente, a surtada deixou o ringue em direção à padaria do outro lado da rua.

Aproveitei a confusão desordenada roubando dois livros: Romance Sem Palavras, do Carlos Heytor Cony, e Mensagem, do Fernado Pessoa. Assim que saí da livraria, uma vontade inesperada de entrar na padaria e falar com a desvairada me apareceu – talvez pela insensatez que sempre me acompanhou.

Adentrei no recinto e logo encontrei a mulher encostada na parede próxima ao banheiro feminino.

- Opa, eu acho que a protagonizante não está na no set de filmagem do outro lado da rua.

- Quer tomar uma cerveja comigo?

- Por que não? Duas cervejas naquela mesa lá do fundo, garçom!

Continua...

Posted on Sexta-feira, Janeiro 15, 2010

Apertado

Filed Under () By Edson Nunes


Apertado estou


sim, apertado, apertado, meu nobre!



Por quê?


porque meus espíritos internos se rebelam


Ao passar pelas ruas do meu subúrbio


o desgosto é permanente, não me encontro lá e não aqui



A carniça se prolifera em grande expansão


o rancor dita o ritmo compassado


A ternura evaporou do estoque


e ódio possui um bom preço


Assim estou


estarei no amanhã


Com os óculos de sol blindando o contato


a relação social, a mistura energética que já foi a ideal



A simplicidade me cativa demasiadamente


e com ela, eu busco o Adeus...


Adeus, Adeus, Adeus